sábado, 4 de fevereiro de 2017

Releitura

De tanto rasgar o bloco de notas e jogar fora, o Lixo já declama o mesmo trecho em três linguás diferentes.
(Hiato filho da puta)
Lixo, Castelo Rá-Tim-Bum 

Poeta

Portrait of Ambroise Vollard,  Pablo Picasso
Cabe ao poeta sucumbir.
Cabe a ele perecer em agonia,
Seco ou molhado.
Que tudo está solto.
Correndo na rua ou dentro de casa.
A loucura bate forte
Nocauteia a si mesmo
Num cruzado de fonemas e poemas indigestos.
Regurgita o cinza da cidade,
Engordando o colete amarelo e aprova
O à prova de balas do peito baleado.

Cabe ao poeta sucumbir.
Subir pelas paredes,
Dormir nas redes.
- Redes de noticia,
Redes de miudezas
de manias malucas. -

Códigos de honra.
Honra nos binários códigos.
Códigos.
"Sucumbir"
é o código do poeta:
"Cabe ao poeta sucumbir".

D(e/i)minuto

Reloj - Salvaor Dalí
São os muitos minutos
Diminutos,
Em seus sonhos de horas a fio
Catam o sono, arrumam o que fazer.
Perdem-se nos
Poucos segundos que restam…

De primeira vista já se vê:
Tantas segundas intenções,
Tantos terceiros,
Tantos milésimos de querer...

A cadencia do relógio nunca foi meu forte, 
Sei que é da direita pra esquerda… 
Esquerda pra direita? 
Direita para direita?  
Tem aquele cara que fala né? 
Que o tempo dilata…
Se dilata não sei.
Mas de lata deve ser
Ou de ferro, só pra passar… Enferrujar.
Se fazer inútil, pois o tempo mesmo é assim:
D(e/i)minuto.