segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Hoje sai para andar

 Manhã nem fria e nem quente, morna como a manhã de recife costuma ser. Digo costuma, mas devido ao temperamento dúbio da cidade nunca se sabe quando vai chover, se no meio de um céu aberto ou nublado. Minha cidade é assim, temperamental.

Mas hoje amanheceu como eu queria que amanhecesse. Sol ainda esquentando a caldeira. Vitamina D e sensação de estar vivo, era isso que queria. Vento na cara e eu me sinto bem.

Calcei os novos cascos e botei um podcast para rodar. Andei pelo meu bairro quase que flutuando, aportei na universidade, aquele espaço verde melancólico, boêmio e confortável. 

Tem uma espécie de depósito na pista de cooper. Tem algum símbolo na frente indicando contaminação. Não sei se foi uma intervenção artística ou há realmente algo tóxico sob aquele teto. E é o teto que mais me chama a atenção. Coberto por uma cabeleira verde, aquele prédio parece se unir as árvores e aquela atmosfera tomada por Gaia.

Enfim, estou tentando voltar a caminhada e quem sabe correr. Um passo de cada vez, um passo no largo do paço.


Sigamos, caminhar é preciso.

domingo, 10 de agosto de 2025

Pai

Entre o que sou existe um espaço em que você é. É menino, garoto, quase hippie, puro frevo e boêmia. Também é trabalho, malandragem e honestidade cristã. É saúde, é doença. É força,coragem e calma. É harpa cristã, hino 124 da harpa cristã. É Djavan tocando cedo, ponto certo da carne e vídeo do the Voice. É saudade e o medo de não chegar. É fazer malabarismo, sacrifício, sacrifício, sacrifício. É se doar demais. É amigo sabido, é sábio. É, mesmo que viciado em celular, é. É diferente de tudo e todo mundo. É pescador, sobretudo pescador. Desbrava o Capibaribe, doma o camurim. Respeita o mar e dança com as feras miúdas em busca do robalo, do dourado. É pai, duas vezes pai.
É pai de mim, meu pai. 
Meu mestre, me ensinou a amar se brasileiro aos moldes pernambucanos. Me ensinou que a contradição faz parte do tempero da vida e que fé é a arma de quem ama.
É três da tarde, é cheiro de rio.
"Bota João Gilberto, aquela... O pato!"
Te amo e amo ser teu filho.

Escrevo pq danço.

Hoje, com coração de aço, me sinto bem. Os dias tem passado um pouco a contragosto, numa espécie de prova do se vira nos trinta.
Mas sei me equilibrar bem, eu sei me equilibrar muito bem. 
Me seguro por entre as palavras, nas curvas dos caracteres. o que posso fazer? sou dançarino.

terça-feira, 5 de agosto de 2025

Girando, girando, girando.

Furacão, me sinto dentro de um furacão. Estava no meio, cheio de tédio e me meti a rodar.

Não sinto o chão sob meus pés, não sinto o céu sobre minha cabeça. Estou de lado, girando e girando ao redor de meu eixo e do eixo de fora.

Estático se movendo para lá e para cá, passando na tangente de onde estava.

Sinto, que a saúde de Sísifo é de ferro. Pulmões fortes, braços torneados e um coração que paga as fugas da morte bombeando o sangue que move a carne monte acima, agarrado com sua pedra.

Será que a minha pedra está girando e girando comigo na beira dessa furacão? Minha vontade é ir no centro novamente, se encontrar em mim e rever as demandas.

Pulo ou salto novamente?